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pólo sul

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Qua | 06.09.06

[33] A ler nos apaixonamos (III)

polosul

E ela respondeu com o seguinte:

«Caro Senhor, lamento só agora responder à sua missiva. E peço-lhe que releve. Pois foi por uma causa honesta. Fico envergonhada só de o imaginar a escrever todas aquelas coisas! Olho para os meus familiares, amigos, inimigos, fãs e críticos e confesso que jamais me ocorreu ser olhada com essa profundidade. Você escreveu aquilo que eu sou! Apaixonei-me pela sua carta. Li, reli, porventura tresli, rendida à evidência.

 Você escreveu o que sempre sonhei.

 

Sempre desejei, sabe Deus com que intensidade!, seduzir quem me lê! Sempre sonhei secretamente ser a causa dos ciúmes de todos os maridos e de todas mulheres; desde que me lembro, sempre quis arrebatar quem passava os olhos pelas páginas que um dia escreveria. Sempre pensei, embora nunca o admitisse de viva voz, que seria a causa e o remédio de todos os males. E finalmente, suprema glória e prazer, queria que me amassem. É uma palermice, mas é verdade.

Acabei por admitir duas coisas: que não posso querer sempre mais, sob pena de nunca ter o suficiente; e que nunca conseguirei escrever de forma a conquistar tudo e todos.

 

E assim descortinei o que penso ser o princípio de uma ideia que procurarei verter no meu próximo livro — e se o “amor” for uma mera palavra que exprime o indescritível?; e se o amor for um mero apeadeiro numa linha contínua de afectos? E se for tudo uma invenção?»

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