Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

pólo sul

pólo sul

Seg | 23.08.21

[134] Caronte à Espera

polosul

Já não sei onde nem quando nem quem leu uns parágrafos do livro de contos de Cláudia Andrade, Quartos de Final e Outras Histórias, e que me levaram a ler esse conto e os demais que se encontram nesse livro. Chegada a vez de ler o seu primeiro romance, Caronte à Espera, não resisto à tentação de dizer que alguns dos temas dos contos são repescados e abordados no romance.

O melhor cartão de apresentação do livro e da autora foi por ela apresentado num vídeo publicado no You Tube, em junho de 2020, que pode ver aqui.

O blogue Antologia do Esquecimento tem uma leitura interessante do romance e citações que, confesso, me escaparam, mas que merecem ser lidas, sendo que nenhuma delas coincide com as que retive.

Caronte-à-espera.png

Há dois ou três momentos chave do romance - quando Artur se apercebe de uma cara numa fotografia de grupo do seu casamento que não tinha reparado antes; o encontro com Ivan, uma espécie de massagista psicoterapeuta e guia espiritual, lembrando, porventura a despropósito, um romance de V.S. Naipaul, The Mystic Masseur.

"Calcando em pontos especifícos vamos admoestar um par de rins negligentes, animar uma porção melancólica do intestino, serenar uma têmpora dolorida mandando calar o ribombar da artéria que a atormenta." (p. 53-54)

E o terceiro momento decisivo? Há que procurar no livro.

Apesar da escrita densificada e algo rebuscada, a desenvoltura, o ritmo e, dir-se-ia,  a musicalidade  das frases conferem ao texto uma leveza erudita, como se bastasse ir lendo para não perder o fio à meada das peripécias que vai desfiando. Desengane-se quem pensar que é um livro de praia, embora seja discutível e dependa da pessoa e do local da praia onde se lê, mas é uma obra que requer atenção, empatia e disponibilidade. Satisfeitas estas condições, é seguir com prazer o texto, como se olhássemos o mar além e o que há dentro de cada um de nós.

Uma dica para se ficar a conhecer melhor os personagens, recorrendo ao lugar-comum, que tem o defeito de ser impreciso e a virtude de ser fiável, diz-me o que lêem e dir-te-ei quem são: "Ivan tapava o sol com o seu Margarita e o Mestre, e Artur, de borco, sorrindo às crianças louras que apanhavam conchinhas, folheava A Morte em Veneza" (p. 80).

 

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.