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pólo sul

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Sex | 02.02.07

[47] Parado

polosul

Foi por acaso que tudo se suspendeu. Reparei que estavam todos ensimesmados, porventura alienados, mas cientes do meio e conscientes de que havia outras pessoas à volta.

E foi por acaso que senti estar à beira da eternidade. Suspenso, com um leve rumorejar, e extraordinariamente feliz. Tão feliz e emocionado como quando passei a ir de autocarro para a escola; quando dei o primeiro beijo ou quando me descobri a pensar sempre nela.

Foram momentos inesquecíveis. Aquele e estes. Andar de autocarro, beijar ou pensar nela, quando estou feliz ou triste, assemelhou-se àquela suspensão da consciência. Tinha encontrado um nicho, em que o tempo e o espaço se haviam cristalizado numa centelha de felicidade intensa e perene. Tão intensa  e sanguínea que pensei ter chegado ao fim de um ciclo... Puro engano! Há instantes que valem por uma vida e que são irrepetíveis. Mas lá por nunca mais se repetirem não significa que não haja aproximações e que depois, com o tempo, também eles sejam promovidos aos momentos únicos e irrepetíveis da nossa história pessoal. É tudo uma questão de tempo.

Porém, este tempo é de dúvidas. De receios. É um tempo de hesitações, de ganhar balanço para logo a seguir vacilar. É um tempo de procura, de errância, de nervos. É uma perda de tempo, mas também um ganho de paciência. Afinal, coragem não me falta, falta é revelá-la.

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