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pólo sul

pólo sul

28.07.20

[116] o que fazer ao passado?

polosul
É uma obra de ficção ou autobiográfica? Serve para consolar, lamuriar ou redimir da morte de uma filha? Quem disse que construir uma narrativa coerente e de aceitação sobre um trauma nos pode salvar? Texto fragmentado, de frases soltas e curtas, onde parece reinar o caos. O fim da história já está no título, como um puzzle cuja imagem já é conhecida.  E agora Tiago Ferro, o que vai ser de ti, quando o "presente muda todo o passado"?
27.07.20

[115] O Doido e a Morte, de Raul Brandão

polosul
A peça de teatro de R. Brandão é coisa pouca, umas quantas dezenas de páginas, proporciona o aquecimento para ascender às obras de maior fôlego, ao Húmus, às Memórias. Uma das personagens, vai advertindo: "Morrer é uma coisa muito séria, é um acto que importa certa preparação." (p. 21) E nós ali, a procurar decifrar aqueles caminhos de literato, até que ele diz, como quem não quer a coisa: "O que lá está, em regra, não presta para nada; o que cada um de nós constrói (...)
27.07.20

[114] O vendido, Paul Beatty

polosul
Requere-se cautela a quem se atirar a este livro despreparado, quem é como quem diz, tem de se fazer acompanhar do google e um bocadinho conhecedor da(s) história(s) sobre racismo na América, caso contrário, o rísivel e o pungente passam ao largo. Se houver pedalada para uma leitura acelerada, disponibilidade para as histórias dentro da história e desfrutar de um estilo torrencial e erudito, é este o livro. Mas não digam que não avisei. Uma das frases chave, que por si só daria (...)
22.05.15

(113) ser incompleto

polosul
Ela: "Nunca me casarei. (...) Nunca embarcarei com ninguém nessa máquina mais pesada que o ar. Que posso fazer? Não se zangue comigo. Pense que sou uma pessoa incompleta." Ele: "Madame Sarah, somos todos incompletos. (...) Por isso procuramos outra pessoa. Para nos completar. (...) Não tenha medo, Madame Sarah. Não deixe que as suas ações sejam (...)
25.03.14

[112] a raça humana

polosul
  "Conta-se a seguinte história de Einstein. Quando se refugiou nos Estados Unidos, escapando das perseguições nazis, teve que preencher um formulário na migração. Entre outras perguntas, devia indicar a raça a que pertencia. Respondeu [...]: Raça Humana."
25.03.14

[110] por vingança?

polosul
    "- Deus matou a minha mãe durante o parto. Deus deu-me um ladrão por pai. Quando eu tinha vinte e poucos anos, Deus deu-me a pólio e eu, por minha vez, dei-a pelo menos a uma dúzia de crianças, talvez mais - incluindo a irmã de Marcia, incluindo provavelmente você. Incluindo o Donald Kaplow. Morreu num pulmão de aço, no hospital de Stroudsburg, em agosto de 1944. (...)
24.02.14

[109] o que é que eu fiz

polosul
   Depois de ler tantos livros de Murakami, finalmente já tenho onde encaixá-lo. Não que seja importante, pois que nada disto é importante, mas ter onde arrumá-lo, juntamente com outros, alivia-me esta permanente inquietação, em quase tudo igual à canção do JP Simões.   Na p. 257, na linha de F. Pessoa, ele escreve:   "Vendo bem, parecia-me que nem sequer tinha uma (...)
17.02.14

[108] o pai

polosul
  Roth escreveu sobre o pai, a quem foi diagnosticado um tumor, aos 86 anos. É um périplo familiar a dois tempos - o do pai, inconformado e a recusar entrar naquela noite escura, e a do filho, a procurar mapear o papel do pai no património familiar, mesmo que seja casmurro:   "Nunca foi capaz de compreender que uma capacidade de renúncia e férrea autodisciplina como a sua (...)
11.02.14

[107] memórias & enganos

polosul
Mais um livro de Roth e a pensar que é mais do mesmo - onanismos, adultérios e mais do mesmo sexo.   Acordei na p. 67:   - Lembras-te de mim, não lembras? - Sim, lentamente começo a lembrar-me. - Tudo bem. Não tenhas pressa.     E depois este naco, a propósito de algumas obras de Kafka (pp. 118-119): Lembro-me daqueles alunos excelentes que [...] explicavam exatamente (...)