Terça-feira, 12 de Setembro de 2006
[35] Elas também (d)escrevem

«O beijo durou todo o filme, mas não nos beijámos exclusivamente na boca. Ele foi descendo com uma sabida lentidão pelo meu pescoço, lambeu-me desde o queixo até aos mamilos, onde esteve alguns minutos num gozo interminável. Pouco depois, ainda mais ligeiro, avançou desde os seios até às costelas e daí ao umbigo, e com a ponta da língua fez alguns estragos no meu ventre, que parecia agitar-se como numa dança persa. (...) Depois, com os dedos compridos, apartou os pêlos e o meu clítoris reluziu assim vermelho e rijo. E foi aí que estampou muitos beijos que o consagraram para a eternidade como o nobel do cunilinguismo. (...) Quando ele se despiu, o seu corpo grego deixou-me pasmada, boquiaberta, toda babada. As costas ligeiramente mais largas do que as ancas, puro lombinho fumado (...) Umas ancas estreitas, nádegas perfeitas e lisas, a penugem a surgir das extremidades e depois os músculos. Uns músculos salientes, musculosos, pernas tensas, tornozelos grossos, pés elegantíssimos e muito bem proporcionados (...) O pescoço na proporção exacta, nem muito grosso, nem muito largo. (...) Olho-o como uma estranha obra de arte por fora e por dentro, porque é muito terno, paciente e calmo.»

 

 

 

Zoé Valdés, “O nada quotidiano”, p. 128-130



publicado por polosul às 01:22
link do post | nortadas
|

8 comentários:
De IGR a 12 de Setembro de 2006 às 20:30
Sim senhor!!! Haja sensibilidade...ou melhor... haja homens sensíveis ( são tão raros!!!).

E haja também quem se dedique assim a partilhar com os outros aquilo que lê. Obrigado

Bjs


De polosul a 12 de Setembro de 2006 às 22:34
Eu é que agradeço a paciência em partilhar comigo estas coisas :-)


De Sarasvati a 12 de Setembro de 2006 às 23:18
Sensibilidade e a estranha certeza de que a empatia pelo exterior é, na grande maior parte das vezes, uma fera no nosso prado dos desapontamentos.

Há tanto mais (do que o exterior),... mas subscrevo o nobel! (:


De polosul a 22 de Setembro de 2006 às 00:54
Sarasvati,

a empatia é uma graça divina. A antipatia um desapontamento. Mas o melhor, melhor, é a simpatia. Depois tudo pode acontecer...


De Sarasvati a 22 de Setembro de 2006 às 23:39
... tudo depende da graça divina (:


De rosario a 14 de Setembro de 2006 às 22:47
Oh! O que eu tenho andado a perder! Obrigado! Pela imagem, também....


De polosul a 15 de Setembro de 2006 às 01:32
Vou ler este comentário como uma brejeirice :-)
Eu é que agradeço pela companhia.


De rosario a 15 de Setembro de 2006 às 18:53
Brejeirice? Eueeee?????

Uma moçoila tãooooo sériaaa......


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
23

24
25
26
27
28
29
30

31


posts recentes

(113) ser incompleto

[112] a raça humana

[111] viva México

[110] por vingança?

[109] o que é que eu fiz

[108] o pai

[107] memórias & enganos

[106] lembrei-me do Tejo

[105] Irvin D. Yalom

[104] T. S. Eliot

[103] o garanhão de Santa...

[102] o que farão as mosc...

[101] quem tem pressa não...

[100] a questão Finkler, ...

[99] 1Q84, Murakami

[98] Machu Picchu, Peru, ...

[97] Salkantay Trek, Peru...

[96] Uma vida pela metade...

[95] Laos, dezembro de 20...

[94] Cambodja, novembro d...

arquivos

Maio 2015

Março 2014

Fevereiro 2014

Outubro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Agosto 2012

Julho 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Setembro 2009

Agosto 2009

Maio 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

tags

todas as tags

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds