Sábado, 16 de Julho de 2011
[95] Laos. dezembro de 2010

Ocuparam a mesa onde habitualmente tomava o pequeno-almoço.

 


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publicado por polosul às 23:10
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[94] Cambodja, novembro de 2010

Ano zero no Cambodja dos Khmer Rouge.

Morrer em vão. Ou porque sim.

 


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publicado por polosul às 22:59
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011
[93] a rosa

"- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

- Os homens já não se lembram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...

-Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer."

 

Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho, p. 74.



publicado por polosul às 22:33
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
[92] desassossego, o livro

Ao subir o Mekong, no Laos, um basco sacou da mochila o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, e disse-me que viajava sempre com ele. Passou-me o livro e abri-o numa página que dizia o seguinte:

 

Cada vez que viajo, viajo imenso. O cansaço que trago comigo de uma viagem de comboio até Cascais é como se fosse o de ter, nesse pouco tempo, percorrido as paisagens de campo e cidade de quatro ou cinco países.

      Cada casa por que passo, cada chalé, cada casita isolada caiada de branco e de silêncio - em cada uma delas num momento me concebo vivendo, primeiro feliz, depois tediento, cansado depois; e sinto que tendo-a abandonado, trago comigo uma saudade enorme do tempo em que lá vivi. De modo que todas as minhas viagens são uma colheita dolorosa e feliz de grandes alegrias, de tédios enormes, de inúmeras falsas saudades.

     Depois, ao passar diante de casas, de vilas, de chalés, vou vivendo em mim todas as vidas das criaturas que ali estão. Vivo todas aquelas vidas domésticas ao mesmo tempo. Sou o pai, a mãe, os filhos, os primos, a criada e o primo da criada, ao mesmo tempo e tudo junto, pela arte especial que tenho de sentir ao mesmo [tempo] várias sensações diversas, de viver ao mesmo tempo - e ao mesmo tempo por fora, vendo-as, e por dentro sentindo-as - as vidas de várias criaturas.



publicado por polosul às 09:28
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[91] a vida aos pares

De Battambang para Siem Reap, com passagem pelo lago Tonle Sap, encontrei dois pares de aves que conjugaram num breve momento uma das metáforas mais interessantes da vida:

 


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publicado por polosul às 05:19
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
[90] adeus

João Serra, o senhor do adeus, morreu.

 

Excerto de notícia do Público:

Souberam por amigos, por SMS ou através do apelo lançado no Facebook. Mais de uma centena de pessoas reuniu-se na noite de quinta-feira, a partir das 22h00, na praça Duque de Saldanha, no centro de Lisboa, para acenar aos carros, tal como o Senhor do Adeus fazia “desde sempre”.

(...)

Mais atrás, estava o escritor Rui Zink. “Este é o melhor velório a que vim nos últimos anos. E eu já estou a ficar habituado a velórios. Provavelmente é o melhor a que alguma vez irei”.

 

Uma vez passei por ele e timidamente acenei-lhe. Senti-me num despropósito: "Porque raio faço adeus a um desconhecido!?"

Ele respondeu com um sorriso de compreensão pelo meu constrangimento. Fiquei aliviado e estupidamente orgulhoso.



publicado por polosul às 10:05
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[89] can`t get enough

We walk together, we're walking down the street
And I just can't get enough, I just can't get enough
Every time I think of you I know we have to meet
And I just can't get enough, I just can't get enough


Depeche Mode. Tb por Nouvelle Vague.


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publicado por polosul às 09:49
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010
[88] caminhar, caminhar

...

my clothes don`t fit me no more

i walked a thousand miles

just to slip this skin

...

 

Bruce Springsteen, Streets of Philadelphia



publicado por polosul às 22:42
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Terça-feira, 9 de Novembro de 2010
[87] as mais belas declarações
 
Enquanto estava incauto a ver os barcos a passar, ela afirmou: tenho conversa contigo até ao fim da vida.
Senti um calafrio, um arrepio, um espinho, um engulho - benditos sinónimos!
Onde antes havia euforia e deleite, apareceu uma serra, escura e enigmática.
Conversa até ao fim da vida... E quanto tempo durará? E a responsabilidade que é, que seria?
 
Que fazer, quando acordarmos um dia e nada, nada, mas mesmo nada, tivermos a sentir ou a dizer um ao outro que não seja mais do que repisar frases batidas?
 
Vou conseguir manter aquele interesse quando ela descobrir que afinal as minhas tiradas originais são plagiadas ou adaptadas? que os aforismos não são meus? que as frases lapidares copiei-as? que as ideias, as boas e interessantes ideias, afinal foram retiradas dos livros mais populares de auto-ajuda? que as frases, enamoradas e exuberantes, foram sacadas dos clássicos da literatura de cordel? que os sms matinais e amorosos imitam twitters dedicados ao nicho do engate e da sedução?
Ela perdoará a falta de originalidade e imaginação?
Não.
Mas perdoa se for sincero e aquilo reproduzir o que sinto por ela.


publicado por polosul às 14:34
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Domingo, 7 de Novembro de 2010
[86] as palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

 

Eugénio de Andrade



publicado por polosul às 21:22
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